03/07/2026 às 19:50

Perda de urina na gestação e após o parto: é normal?

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3min de leitura

A perda de urina durante a gestação e após o parto é uma queixa muito comum entre as mulheres. Muitas acreditam que "faz parte da gravidez" ou que "é normal depois que o bebê nasce".

Mas será que isso é verdade?

A resposta é: não.

Embora seja frequente, a perda urinária não deve ser considerada normal. Ela é um sinal de que o sistema responsável pela continência urinária está sobrecarregado ou funcionando de forma inadequada e merece atenção.

Por que isso acontece?

Durante a gestação, o corpo passa por diversas adaptações que aumentam o risco de incontinência urinária:

  • aumento do peso do bebê sobre a pelve;
  • alterações hormonais que deixam os tecidos mais flexíveis;
  • maior pressão sobre a bexiga;
  • mudanças na postura e na mecânica corporal;
  • necessidade de maior trabalho dos músculos do assoalho pélvico.

Após o parto, especialmente nas primeiras semanas, esses músculos podem permanecer enfraquecidos, alongados ou com dificuldade de coordenar sua função, favorecendo os escapes de urina.

Quais são os tipos mais comuns?

A forma mais frequente é a incontinência urinária de esforço, quando a urina escapa ao:

  • tossir;
  • espirrar;
  • rir;
  • correr;
  • levantar peso;
  • praticar atividade física.

Algumas mulheres também apresentam urgência urinária, aquela vontade muito forte e repentina de urinar, podendo não conseguir chegar ao banheiro a tempo.

É só fortalecer o assoalho pélvico?

Não. Esse é um dos maiores mitos.

Nem toda mulher precisa apenas "fazer exercícios de Kegel". Em muitos casos, o assoalho pélvico pode estar excessivamente tenso, pouco coordenado ou trabalhando de forma inadequada.

Antes de iniciar qualquer exercício, é fundamental realizar uma avaliação individualizada.

O tratamento pode incluir:

  • treinamento da musculatura do assoalho pélvico;
  • exercícios de coordenação entre respiração, abdome e períneo;
  • orientações comportamentais;
  • reeducação vesical;
  • treinamento funcional;
  • terapia manual quando indicada;
  • biofeedback e eletroterapia em casos específicos.

A fisioterapia realmente funciona?

Sim.

Diversos estudos científicos demonstram que o treinamento supervisionado da musculatura do assoalho pélvico é considerado o tratamento de primeira linha para prevenir e tratar a incontinência urinária durante a gestação e após o parto.

Quando iniciado precocemente, ele pode:

  • reduzir significativamente os episódios de perda urinária;
  • melhorar a força e a coordenação do assoalho pélvico;
  • diminuir o impacto na qualidade de vida;
  • prevenir que o problema persista nos anos seguintes.

Quando procurar ajuda?

Você deve procurar uma avaliação se:

  • perde urina durante a gravidez;
  • continua perdendo urina após o parto;
  • utiliza absorventes por causa dos escapes;
  • evita exercícios físicos por medo de perder urina;
  • sente urgência para urinar com frequência;
  • acorda várias vezes durante a noite para urinar;
  • percebe sensação de peso ou pressão na região íntima.

Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, melhores costumam ser os resultados.

Perder urina durante a gestação ou após o parto é comum, mas não é normal. Esse sintoma não deve ser ignorado nem tratado como uma consequência inevitável da maternidade.

A fisioterapia pélvica oferece uma abordagem baseada em evidências científicas para avaliar a causa da perda urinária e desenvolver um tratamento individualizado, permitindo que a mulher retome suas atividades com conforto, segurança e qualidade de vida.

Se você está grávida ou já teve seu bebê e apresenta qualquer episódio de perda urinária, saiba que existe tratamento. Cuidar do assoalho pélvico é investir na sua saúde hoje e no futuro.

Referências científicas

  • Woodley SJ, et al. Pelvic floor muscle training for preventing and treating urinary and faecal incontinence in antenatal and postnatal women. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2020.
  • Haylen BT, et al. An International Urogynecological Association (IUGA)/International Continence Society (ICS) Joint Report on the terminology for female pelvic floor dysfunction. Neurourology and Urodynamics. 2010.
  • Dumoulin C, et al. 2023 International Consultation on Incontinence Evidence-Based Recommendations for Conservative Management. International Continence Society.
  • National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Pelvic floor dysfunction: prevention and non-surgical management. 2021.


03 Jul 2026

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